Ultra-Trail du Mont-Blanc® 2013

Temos cinco finishers!

NELitos

 

Luis Subtil já é finisher do CCC!

António Fael parou ao kilometro 55,93 durante o CCC.

João Colaço, o 1ºPortuguês a cortar a meta do UTMB!

Luis Serafim Coelho, José Artur e Pedro Pedrosa são também finishers do UTMB!

CCC

7132 – Luís Subtil – Finisher!


Finisher

586

194

Sat. 07:55   Chamonix

22:24:58

http://utmb.livetrail.net/coureur.php?rech=7132

6108 – António Fael – Stopped em Champex-Lac


Stopped

1578

188

Fri. 21:23   Champex-Lac

12:07:52

 

 

 

 

 

UTMB

0226 – João Colaço – Finisher e O melhor tempo Português!


Finisher

35

26

Sat. 19:03   Chamonix

26:33:03

http://utmb.livetrail.net/coureur.php?rech=226

3360 – Luís Serafim – Finisher


Finisher

366

144

Sun. 03:55   Chamonix

35:24:48

http://utmb.livetrail.net/coureur.php?rech=3360

4434 – José Artur – Finisher


Finisher

568

228

Sun. 06:30   Chamonix

37:59:50

http://utmb.livetrail.net/coureur.php?rech=4434

4052 – Pedro Pedrosa – Finisher


Finisher

1560

624

Sun. 13:50   Chamonix

45:19:53

http://utmb.livetrail.net/coureur.php?rech=4052

 Testemunhos:

Luis Coelho

 Em jeito de balanço e antes que a emoção se esvá:

O UTMB é uma prova fantástica!

Já tinha estado em Chamonix (Mont Blanc) 3 vezes. Uma a fazer montanhismo e a tentativa de subida ao cume, outra a caminhar a fazer a volta do Mont Blanc (TMB) e no CCC a fazer os 100km. Anos diferentes , condições diferentes, mas sempre um local fantástico.

O que retive desta vez:

Menor encanto com a feira, e toda a dinâmica da prova por já a conhecer mas reconheço que encanta quem a vê pela 1ª vez;

A ansiedade antes da prova foi menor e apenas a senti depois de equipado na espera da partida;

Não podemos tentar fazer a prova com um parceiro; Eu e o Zé tentámos e correu mal. Ele descia rápido e eu stressava, eu subia mais rápido, perdia-o de vista e stressava para o encontrar, tínhamos ritmos diferentes nos abastecimentos e nenhum ficava satisfeito? enfim tivemos que nos separar e a prova é MESMO individual. Eu gostei.

Optei por um ritmo defensivamente lento pois só tinha um objectivo: Terminar.

Assim lá me fui movimentando durante a 1ª parte e tentando não me perturbar com os imprevistos. Ex: em Les Contamines tínhamos pensado ter a Rita para trocar a camisola de alças por uma de manga comprida. O autocarro atrasou e segui com a que tinha na mochila; ao tentar colocar o blusão na mochila rebentei o fecho na mochila ? prendi com os elásticos e siga. Sobretudo ter cabeça fria e não valorizar as coisas não seguirem como planeadas.

Mas fui seguindo. Bem, nas subidas, e lento a descer (passavam-me às dezenas?). Só na descida de Col Chécrouit até Courmayeur fui passado por 40 atletas e passei 4.

Em Courmayer, onde cheguei amanhecer, analisei os pés e fui ao podologista para me tratar um bolha enorme que tinha. Voltei a colocar creme, e mantive meias e as mesmas Adidas Riot 4 com que fiz toda a prova.

Fui tranquilo, apenas com um ligeiro enjoo em Arnuva quando fui comer mas consegui ingerir a sopa e mais qq coisa.

A logica é sempre a mesma: um esforço nos gémeos a subir e no cimo, troca de grupo muscular e toca a descer? as vezes bem pior descer que subir.

Assim fui indo até Champex. Lá tudo mudou. Estive com o Valdemar e ao ver que eram 17h30 decidi acelerar o passo com a motivação de fazer a Bovine de dia. A presença e alegria dele, a comida, o estar de dia e o diclofenac (votaren rapid) serviram de tónico.

Passei do ritmo de ?peregrinação para competição? e muito mais alegre ataquei a Bovine, Catogne, Col des Montets e a Tête aux vents. Estava na maior. Lembro-me de me ter rido quando vi a inclinação da Tête aux vents e em vez de me ter intimidado me ter motivado? enfim a falta de oxigénio deve causar estas coisas.

O resto foi terminar, embora numa zona meio chata, como se tornou a travessia até tenda de controlo na Tête aux vent, a ligação a La Flégere e a descida a Chamonix.

Acabei rápido e nada degradado. No final comi uma maça e bebei uma garrafa de proteína. Nem fome tinha.

O que adorei:

O apoio que tive: A Rita Moniz foi FANTÁSTICA. O Valdemar o Paulo de Carvalho ao puxarem por nós bestial e todos a mandarem mensagens e ligarem excelente.

O percurso: a passagem da Notre Dame de la Gorge com as velas e as fogueira; o Vale Daosta entre Bertone e Arnuva; a inclinação da Tête aux vents com as luzes dos frontais de que ia na frente.

A organização atenta, cuidada e os abastecimentos das crianças à porta de casa na Suíça.

Imagens na minha mente: o pai que relaxava os gémeos da sua filha (+- 20 anos) antes da partida quendo estávamos todos ansiosos; As chegadas de atletas em situações super degradadas perto do final da hora limite de domingo;

Mochila : Excelente. Não dei por ela o que em 36h significa muito.

Em termos atléticos considero que a exigência face a uma prova de 100k é semelhante. Temos é que ter mais calma e paciência pois faltam sempre muitas horas. O resto é cabeça e pensamentos positivos. A Dina manteve sempre esse aspecto presente com comentários do tipo: estás a ir bem, os teus Amigos estão a dar-te super apoio, segue? e eu como sou bem mandado lá segui.

Bestial termos 5 Finishers e o Colaço em 35! Pena O Amigo António Fael que estava mais que pronto para fazer a prova. Adorei a chegada do Pedrosa, o super jante, que fez uma prova controlada com enorme cabeça. Faltou-me o Toni!

Em suma: Levei 8 anos a acabar este projecto e acabei muito Feliz.

Partilho convosco, meus Amigos, para vos motivar. Por mim quanto ao futuro, logo se vê o caminho, mas o que acho é que, perante a Vida, estas provas são fáceis: têm um início e um fim. A Vida segue e espero que seja sempre uma Aventura.

Obrigado

João Colaço

Boas, Luís, obrigado pelas tuas palavras e por seres como és. É realmente um privilégio poder privar com pessoas como tu e como os restantes Nelitos. Dou graças não sei bem a quê por vos ter encontrado e ficado convosco!

Relativamente ao UTMB 2013, continuo a estar arrepiado e emocionado sempre que penso a fundo no assunto. Foi a minha 3ª estadia em Chamonix, depois do inverno de 2004 no Snowboard e do UTMB 2012. Depois da desilusão e desmotivação do ano anterior, o Monte decidiu compensar-me com juros e correcção monetária, pois a tempestade e as alterações consequentes deram lugar a um tempo fantástico que me permitiu concluir este desafio. Ser ultra é ser persistente e paciente…

Parti na quinta de madrugada para Lisboa, depois de 2 horitas de sono. A primeira dificuldade foi levar o bigode certinho e simétrico para a Rita me fazer a sessão fotográfica às 2 da matola para poder alterar a foto de perfil do FB! 🙂 Viagem sem stress, passar pelas brasas todo torcido nos bancos do aeroporto e siga para Genebra. Apanhar o transfer desde o aeroporto até ao Chamoniard Volant (Mountain Resort & Spa, onde pagamos a exorbitância de 18?/noite :)). Numa das primeiras paragens na vila para largar pessoal e a primeira pessoa que vejo é a Rita Moniz. Alegria por encontrar logo caras conhecidas! Fomos almoçar com o Carlos Sá e com mais uma carrada de portugueses e ouvir os relatos dos que já tinham terminado a TDS. Hilariante o facto de o José Pereira (cunhado do Sá) ter a prova tão bem controlada que ao passar num pórtico a 8 km do fim, encostou e tirou a mochila pensando que tinha acabado. Lá foi alertado pela organização e arrastou-se até ao fim, perdendo várias posições pois tinha dado tudo antes, na meta que inventou….
À tarde foi hora de levantar os dorsais, ver o Salão do Trail e descansar. No grande dia foi tentar dormir o máximo, comer e tratar da logística e equipamento. O saco para ter ao km 77 podia ser depositado 2 horas antes da partida, pelo que programei tudo para chegar o mais cedo possível. No ano passado, cheguei a faltar 1 h e já estava uma confusão brutal, o que perturbou logo o início da prova. Assim, foi possível, gerir o meu ritmo desde o início, sem perturbações externas. Tinha como primeiro objectivo chegar ao fim e depois, se possível, baixar das 30 horas. Para tal, usei uma tabela de pontos de passagem para 28 h de tempo final. Baixei um pouco o objectivo de tempo pois equipa que joga para empatar, acaba por perder. Fui sempre certinho de início, alguns metros com o Miguel Baptista, mas ele avançou. Estava a cumprir bem os tempos de passagem e encontrei novamente o Miguel num abastecimento que me diz que o Nuno Silva vinha a passo. Passei por ele, sem dar por isso. Começavam as primeiras baixas… Sigo muitos kms com o Miguel, eu  subia melhor, ele dava cartas nas descidas. Na muda de roupa em Courmayeur, aos 77k, demoramos um pouco mais pois o Miguel esta com uma bolha e fica a tratar dela. Mudo os calções Salomon pelos do Lidl (homenagem ao Toni) e não mexo em mais nada. Está tudo perfeito. Comemos e arrancamos com o apoio da Ana, namorada do Miguel, e do irmão. Sabemos que o Armando ficou naquele ponto e que o Sá já tinha encostado. Embora não deseje mal a ninguém, é bom estar no pódio dos tugas. Como a paragem foi maior, sinto frio ao sair e coloco os manguitos. Foi a única altura em que as cavas não foram suficientes para mim. Na subida seguinte, o Miguel descola e eu avanço, com algum peso na consciência pois ele tinha esperado por mim na descida anterior. No entanto, como o Luís diz, isto é difícil de fazer com companhia permanente. Em boa hora avancei pois o Miguel acabou por ter muitos problemas e demorar mais 5 horas que eu. Amanhece no Vale d’Aosta e sinto-me pequenino… Penso vezes sem conta na sorte que é preciso ter para se pertencer à ínfima minoria de pessoas no mundo que tem trabalho, família e amigos que lhe permitem aproveitar estes momentos que são realmente VIVER! Sou esmagado pela grandiosidade das paisagens e apetece-me fazer um vídeo para registar os meus sentimentos, mas acabo por não o fazer. O dia vai avançando sem percalços e vou ganhando progressivamente posições. Consigo correr, estou a descer bem, o dia está perfeito. Faço algumas ultrapassagens com tal diferença de ritmo para os colegas que temo que pensem que estou a gozar com eles. Lembro-me da família, dos amigos, e de todos os que deverão estar a torcer por mim. Toco no bolso onde está o desenho que a Inês fez para me dar sorte e as lágrimas de alegria querem rebentar. Vou recebendo mensagens de incentivo “Estás quase no Top75!”. Tento não valorizar muito a classificação com medo de exagerar e partir alguma correia ou gripar um rolamento. Em Champex estão uma carrada de tugas familiares dos atletas e o apoio é fantástico e motivador. Siga para a frente e a 30 km Encontro o Luís Mota muito abrasado. Não consegue comer há muitos kms. Ofereço-lhe o que tenho mas não entra nada. Fica deitado numa pedra a tentar recuperar alguma energia. Com uma vontade de ferro, diz que nunca desistiu em nenhuma prova e também não quer que seja hoje, mas ainda faltam 3 paredes… Sigo com algum remorso, mas não posso fazer nada. Até ao fim foi mais do mesmo, umas centenas de metros e lá estava mais um colega. Fazer a prova de trás para a frente é extremamente motivador. Feita a última parede, com mais de 700m de desnível em poucos kms, uma parte muito técnica até à Tête aux Vents, chegada a La Flegére e faltam 8 km com a descer já com Chamonix à vista (Castelejo style). Depois de entrar na vila, o apoio é brutal, sentimo-nos campeões qualquer que seja a nossa posição. Alegro-me com a companhia do João Fael e da esposa que me acompanham nos últimos metros. Na penúltima curva, vejo o que desejei por muitas vezes durante o caminho, o Luís Barreiro espera-me com o colete de finisher do CCC. Damos um abraço de orgulho e emoção. Enfio o pé numa das grades e quase dou um espalho monumental, mas como tinha poucos kms nas pernas os reflexos estão no máximo, equilibro-me 😀 Depois foi chegar à meta em apoteose, sentir-me como se fosse o primeiro, festejar com os tugas que me emprestam a bandeira com que passo a linha e me ajoelho, vibrando e rendendo-me à tonelada de emoções. Simplesmente épico e inesquecível. Todos os milhares de kms de treinos, o levantar de noite fechada, mas com prazer, os treinos longos de solidão e introspecção reduzem-se e concentram-se nestes segundos que saboreio avidamente. Receber os cumprimentos de todos, ficar babado com os elogios, receber o colete de finisher, carregado de simbolismo na sua inutilidade 😀 Depois da arrasadora descarga de adrenalina é hora de ficar enjoado e sentir que as entranhas vêm parar cá fora. Nada aconteceu mas o mal-estar é grande. Depois foi ir para os aposentos, ganhar coragem para o banho enquanto respondia a algumas mensagens e adormecia de 10 em 10 segundos até desistir. No dia seguinte tinha uns rascunhos fantásticos num dialecto indecifrável. 🙂 Dormi umas horitas de sono profundo, acordei ainda de noite e levantei-me. Soube com satisfação que o Serafim tinha concluído e o Zé Artur estava a chegar. Fui até à vila mais tarde e esperei pela chegada do António Neto, também 5 estrelas. Só faltava o grande Pedrosa, que vinha dentro do tempo mas a fazer-nos sofrer. É incrível o estado de alguns atletas à chegada e qualquer um fica emocionado. É preciso um querer fora de série, só presente nos ultra atletas. Depois a chegada do Pedro, que foi apoteótica com a malta toda a acompanhar! Grande!

É de referir que  ainda deu para satisfazer uma curiosidade antiga. Gostava de saber a sensação de tocar nas vedações eléctricas  do gado e, em Bovine, o trilho estava ocupado por vacas, o que me fez desviar e apanhar uma descarga no lombo que até saltei. Acho que foi isso que me deu energia para a parte final da prova! 🙂

O balanço da expedição é fantástico, com mais uns dias em família NEL. Todos estamos de parabéns e o Pai Nel tem de lá voltar para se livrar da malapata. Quanto a mim, tenho dificuldade em apontar algo que não tenha corrido bem. Há dias assim…

Desculpem a extensão do testemunho mas ainda fica tanto por dizer… Resta-me agradecer o apoio de todos vós que torcem por mim. Obrigado Ritabela & Inês, e desculpem-me o egoísmo.

Abraços, beijinhos e lutem pelas vossas paixões
JC

[Última actualização: 7 de Novembro 2013 às 23h42]
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